Existem dias de candura, vivo-os em calma.
Dias de céus em tons pastéis,
passeios ao entardecer,
contemplação em frente ao lago,
leituras amenas ao cair da noite,
carinhos no gato malandro,
xícaras de chá de hortelã que aquecem as mãos
e conversas cândidas antes de um sono leve.
Dias de andar despretensiosa e simples com apenas o vento na cabeça.
Existem dias de fervor, neles sou eu o calor.
Dias de suor escorrendo,
de sentir os cheiros do corpo vivo,
de sabores,
de respiração ofegante,
de urgência do amor,
de olhos fechados,
de boca sedenta,
de saciedade,
de corpos cansados, plenos de amor.
Quisera eu não ser tão dualista,
Que pena, isso não foi reservado para mim.
Desacredito de meias palavras,
não entendo suavidades,
Nem sutilezas.
Eu vejo a vida em cores primárias,
Em sabores marcantes,
Em silêncios profundos e
Música alarmante.
Diário de bordo de uma mulher que está beirando os cinquenta. Uma poetisa, uma mãe, uma doceira, uma mulher, um ser humano envelhecendo e sorvendo cada gota desta loucura que é viver cada dia um dia a menos. Diagnosticada como uma pessoa com Transtorno Afetivo Bipolar - TAB, aos 46 anos. Entre tantos acontecimentos no percurso, esse último merece um capítulo especial.
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Oito de abril de 1916 - oito de abril de 2016 - 100 anos... nos meus 40 anos
O Vô Abel
Quando ele tinha quase 40 anos, minha mãe nasceu.
Quando ele fez 60, eu nasci.
Agora que eu vou fazer 40, se ele estivesse aqui, faria 100 anos.
Eu gosto de brincar com essas contas e me enganar que o tempo não voa levando consigo o que temos de mais precioso.
Em 2000, eu ia fazer 24, ele tinha feito 84 e só esperou por meu retorno ao lar, olhou para mim, tentou falar qualquer coisa e eu só disse: "pode ir, pode descansar, eu já voltei." Ele esperou eu sair, não me deixou vê-lo indo, mas esperou que eu deixasse minha rebeldia e voltasse para casa.
Meu avô teve muitos netos e netas, criou gente a perder de vista, foi honesto e íntegro, foi bravo e bondoso, eu só conheci o lado bondoso, aquele que endossava minhas loucuras:
"- Deixa a menina!"
"- Quanto é minha filha, o vô ajuda!"
Eu fazia minha parte, que saudades disto, eu ainda acho que ele abotoava a camisa toda errada só para eu arrumar e brincar que ele tava ficando torto ou camisa tinha vindo errada... Eu ajudei na livraria, era minha diversão, eu o levei a muitos médicos e laboratórios, sabia muito bem suas rotinas e ele me adulava por isso. Éramos cúmplices, avô e neta, unha e carne.
Meus filhos me lembram muito dele e como ele teria gostado de conhecê-los.
Saudades que não tem fim!!
Quando ele tinha quase 40 anos, minha mãe nasceu.
Quando ele fez 60, eu nasci.
Agora que eu vou fazer 40, se ele estivesse aqui, faria 100 anos.
Eu gosto de brincar com essas contas e me enganar que o tempo não voa levando consigo o que temos de mais precioso.
Em 2000, eu ia fazer 24, ele tinha feito 84 e só esperou por meu retorno ao lar, olhou para mim, tentou falar qualquer coisa e eu só disse: "pode ir, pode descansar, eu já voltei." Ele esperou eu sair, não me deixou vê-lo indo, mas esperou que eu deixasse minha rebeldia e voltasse para casa.
Meu avô teve muitos netos e netas, criou gente a perder de vista, foi honesto e íntegro, foi bravo e bondoso, eu só conheci o lado bondoso, aquele que endossava minhas loucuras:
"- Deixa a menina!"
"- Quanto é minha filha, o vô ajuda!"
Eu fazia minha parte, que saudades disto, eu ainda acho que ele abotoava a camisa toda errada só para eu arrumar e brincar que ele tava ficando torto ou camisa tinha vindo errada... Eu ajudei na livraria, era minha diversão, eu o levei a muitos médicos e laboratórios, sabia muito bem suas rotinas e ele me adulava por isso. Éramos cúmplices, avô e neta, unha e carne.
Meus filhos me lembram muito dele e como ele teria gostado de conhecê-los.
Saudades que não tem fim!!
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| Éramos tão jovens - 04/1999 We were so young. |
The Grandpa Abel
When he was almost 40 years old, my mother was born.
When he turned 60, I was born.
Now I'll turn 40, if he were here, would 100 years old.
I like playing with these accounts and feel fool thinking that time does not fly,
taking with him what is most precious.
In 2000, I was 24, he was 84 and just waited for my return home, looked at me, tried to speak anything and I just said, " You can go, you can rest, I'm back." He waited for me to leave, do not let me see when he was going, but him waited for me to leave my rebellion and return home.
My grandfather had many grandchildren, created us out of sight, was honest and righteous, was brave and kind, I just met the good side, who endorsed my follies:
"- Let the girl do it!"
"- How much is my daughter, the Grandpa helps you!"
I did my part, I miss it, I still think that him buttoned all wrong shirt just for me to pack up and play saying that he was getting bent or shirt had been wrong ... I helped in the bookstore, it was fun for me, I took him to many doctors and laboratories, I knew him routines very well and he flattered me so much. We were accomplices, grandfather and granddaughter, bone and flesh.
My children looks like him and how he would have liked to know them.
I miss him and that has no end !!
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Promessas não cumpridas... Palavras não escritas
Era para escrever um diário, mas a indisciplina me absorveu e não cumpri a minha promessa.
A vida é repleta de promessas não cumpridas, a rotina é um redemoinho que engole quem é distraído, quem tem a alma leve, quem olhas as nuvens passando.
Escrever era uma pressão, um tesão, uma compulsão que eu fui controlando, podando, desnutrindo até chegar ao ponto em que hoje estou; agora eu busco resgatar, como quem deixa uma plantinha morrer e depois rega em desespero, para tentar fazer florescer a todo custo.
Nunca é tarde para retomar, recomeçar. Eis aqui minha nova tentativa, escrever três vezes por semana, reescrever os antigos escritos daquela menina ingênua que escrevia com tanto afinco e fúria.
Virá, virão, eles virão.
A vida é repleta de promessas não cumpridas, a rotina é um redemoinho que engole quem é distraído, quem tem a alma leve, quem olhas as nuvens passando.
Escrever era uma pressão, um tesão, uma compulsão que eu fui controlando, podando, desnutrindo até chegar ao ponto em que hoje estou; agora eu busco resgatar, como quem deixa uma plantinha morrer e depois rega em desespero, para tentar fazer florescer a todo custo.
Nunca é tarde para retomar, recomeçar. Eis aqui minha nova tentativa, escrever três vezes por semana, reescrever os antigos escritos daquela menina ingênua que escrevia com tanto afinco e fúria.
Virá, virão, eles virão.
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| http://diariodeumadependentedecrack.blogspot.com/2012/05/promessas-nao-cumpridas.html |
terça-feira, 26 de junho de 2018
Aquela canção (que não me lembro mais)
Funeral dos sonhos
Aquela canção tocou, não para mim, nunca para mim.
Tocou, todos se levantaram e sorriram.
A canção não foi para mim, cada vez que eu a ouço sinto dor, frio e medo.
Talvez eu nunca a ouça para mim,
É assim que eu pago pelos meus pecados,
Pela vida afora vu pagando,
Purgando, pecado a pecado.
E, se ouço essa canção,
Um milhão deles são atirados em minha face,
Como pedras, pecados pontiagudos ao som dessa marcha,
Funeral dos meus sonhos.
05/02/2006 - Ensaios tristes.
Aquela canção tocou, não para mim, nunca para mim.
Tocou, todos se levantaram e sorriram.
A canção não foi para mim, cada vez que eu a ouço sinto dor, frio e medo.
Talvez eu nunca a ouça para mim,
É assim que eu pago pelos meus pecados,
Pela vida afora vu pagando,
Purgando, pecado a pecado.
E, se ouço essa canção,
Um milhão deles são atirados em minha face,
Como pedras, pecados pontiagudos ao som dessa marcha,
Funeral dos meus sonhos.
05/02/2006 - Ensaios tristes.
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| Crédito da Imagem: https://partiturasviolino.wordpress.com/2009/11/15/partitura-marcha-nupcial-mendelssohn/ |
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Demais
Um poeminha que escrevi em 2002, quando decidi morar com o Marcus.
Era para ser chopp, pizza e só.
Um lanche, um suco e
Um beijo inocente,
Mas foi mais.
De repente foi pressa,
Risos e nos tornamos “nós”
Rápido demais
Fácil demais
Foi você quem disse,
Eu achei “DEMAIS”.
Quando era para acabar,
Não acabou,
Durou
E ainda dura.
(15/11/2002)
Era para ser chopp, pizza e só.
Um lanche, um suco e
Um beijo inocente,
Mas foi mais.
De repente foi pressa,
Risos e nos tornamos “nós”
Rápido demais
Fácil demais
Foi você quem disse,
Eu achei “DEMAIS”.
Quando era para acabar,
Não acabou,
Durou
E ainda dura.
(15/11/2002)
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
O vazio
Um vazio
É um lugar sem nada
Com poeira do que tinha antes
Com marcas e com cheiro.
Um vazio é o que eu trazia
E outro vazio foi o que eu encontrei
Mas vazios diferentes
O meu vazio ficou cheio
Com o vazio dele
E o dele, também se preencheu
De uma maneira que não se explica,
Ficamos plenos.
(Ao amor encontrado despretensiosamente - Marcus Vinicius 2002)
É um lugar sem nada
Com poeira do que tinha antes
Com marcas e com cheiro.
Um vazio é o que eu trazia
E outro vazio foi o que eu encontrei
Mas vazios diferentes
O meu vazio ficou cheio
Com o vazio dele
E o dele, também se preencheu
De uma maneira que não se explica,
Ficamos plenos.
(Ao amor encontrado despretensiosamente - Marcus Vinicius 2002)
O vazio
Um vazio
É um lugar sem nada
Com poeira do que tinha antes
Com marcas e com cheiro.
Um vazio é o que eu trazia
E outro vazio foi o que eu encontrei
Mas vazios diferentes
O meu vazio ficou cheio
Com o vazio dele
E o dele, também se preencheu
De uma maneira que não se explica,
Ficamos plenos.
(Ao amor encontrado despretensiosamente - Marcus Vinicius 2002)
É um lugar sem nada
Com poeira do que tinha antes
Com marcas e com cheiro.
Um vazio é o que eu trazia
E outro vazio foi o que eu encontrei
Mas vazios diferentes
O meu vazio ficou cheio
Com o vazio dele
E o dele, também se preencheu
De uma maneira que não se explica,
Ficamos plenos.
(Ao amor encontrado despretensiosamente - Marcus Vinicius 2002)
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