- Não vai a igreja de novo?
- Não!
- Que que deu em você, faz um mês que não vai a igreja?
- Naum quero ver ninguém, você já está atrasada!
- Eu estou começando a ficar preocupada com você... Daqui a pouco não sai mais de casa...
- E eu estou começando a ficar irritada com você!
- Tudo te estressa, tá vendo? Eu nem...
- Você nem precisa de esforço para me irritar, vai embora logo!
- A gente quer conversar...
- Naum comece a me manipular, vá embora!
Diário de bordo de uma mulher que está beirando os cinquenta. Uma poetisa, uma mãe, uma doceira, uma mulher, um ser humano envelhecendo e sorvendo cada gota desta loucura que é viver cada dia um dia a menos. Diagnosticada como uma pessoa com Transtorno Afetivo Bipolar - TAB, aos 46 anos. Entre tantos acontecimentos no percurso, esse último merece um capítulo especial.
domingo, 18 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
Pequeninos II
- Vai comer de novo?
- Vou, por quê?
- Você acabou de comer um monte de biscoitos, vai comer mais?
- O problema é de quem se eu como ou se faço greve de fome?
- Seu, mas...
- Então mais nada! Eu faco o que quero da minha vida e fome.
- Como vc pode ser tão estupida?
- Aprendi com você!
- Vou, por quê?
- Você acabou de comer um monte de biscoitos, vai comer mais?
- O problema é de quem se eu como ou se faço greve de fome?
- Seu, mas...
- Então mais nada! Eu faco o que quero da minha vida e fome.
- Como vc pode ser tão estupida?
- Aprendi com você!
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Pequeninos I
Vou mudar o nome disto para a flor da pele.
- Como eh que chama o nome disto?
- Chama "A Flor da Pele".
- Tatuagem, um desenho de uma flor?
- Naum! Nervos a flor da pele.
- E pele tem flor? Nervos florescem?
- Naum, Idiota! Eh soh uma expressão, para dizer que esta a ponto de bala, por um fio, no limite... Entende?
- Claro! Mas o que tem a flor a ver com isso?
- AHHHHH! Cala-te!
- Como eh que chama o nome disto?
- Chama "A Flor da Pele".
- Tatuagem, um desenho de uma flor?
- Naum! Nervos a flor da pele.
- E pele tem flor? Nervos florescem?
- Naum, Idiota! Eh soh uma expressão, para dizer que esta a ponto de bala, por um fio, no limite... Entende?
- Claro! Mas o que tem a flor a ver com isso?
- AHHHHH! Cala-te!
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Sensações: café com leite ...
Lembro da primeira vez que eu bebi café com leite...Tinha acabado o meu Nescauzinho sagrado e minha mãe me deu leite com café.
Eu não queria e ela me disse que se eu não provasse não ia saber se era gostoso ou não... Eu na maior manha, peguei a colherinha (nada de colherzinha para criança) e chups, provei, hummmm que sabor, que coisa de outro mundo, bebi a xicara toda. Adorei o gosto de café com leite na minha boca.
Ainda hoje eu me lembro daquele dia na cozinha da minha vó Maria, sinto a mesma sensação sempre que algo bom vai me acontecer.
Coisas boas tem sabor de café com leite.
Ainda hoje eu me lembro daquele dia na cozinha da minha vó Maria, sinto a mesma sensação sempre que algo bom vai me acontecer.
Coisas boas tem sabor de café com leite.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Caro Data Vermibus - O sepultamento do potiguar
Caro Data Vermibus - O sepultamento do potiguar
Para mim, dia de chuva lembra morte, por isso esperei a chuva para matar-lhe e sepultar-lhe.
Nem chovia tanto e nem tinha vendaval, mas teve velório, caixão, vela e terço.
Deitei o corpo no caixão, sepultei e chorei.
Não era bem corpo, era um papel com seu nome. E o caixão era uma caixinha de fósforo, vazia.
Não acendi vela de verdade e não rezei terço.
Eu não sou católica, ele era.
Não foi no cemitério, fiz uma cova rasa num vaso.
Cova rasa como a de João, em sua morte e vida severina.
Não chamei um padre, nem ninguém,
Mas eu mesma fiz uma missa.
Pensei:"-Ele era tão bom!".
Mentira!
Se fosse bom eu não o teria matado, ele não precisaria morrer.
Coloquei o caixão na cova, joguei uma pétala, porque flor era grnade demais.
Chorei um pouco mais...
Disse umas palavras: Caro Data Vermibus!
Lancei a terra devagar e fui chorando devagar.
Deixá-lo ali no frio me doeu, pensava nele sozinho e os vermes...
Vermes não comem papel com nome, defuntos fictícios.
A terra cobriu rapidamente o caixão, ele estava morto e enterrado.
Respirei aliviada, papéis com nome não ressucitam.
Coloquei uma violeta sobre o túmulo, dentro do vaso de violetas.
Voltei para casa, estava no quintal, apenas entrei, pensei nele, na morte dele, em como planejei tudo; a cor do papel, a tinta da caneta, o tipo de letra, a caixa de fósforos, qual vaso usar, o dia de fazer isto... Ah! Livrei-me dele!
Chorei de novo, amava aquele nome na caixinha, amava e estava presa aquele homem morto no caixão e sepultado no vasinho.
Estava viúva, não precisava amá-lo e nem sofrer por ele.
Sepultei-o mas ele anda solto por aí, morto no meu coração.
(Nem preciso explicar mais nada - 2000)
Para mim, dia de chuva lembra morte, por isso esperei a chuva para matar-lhe e sepultar-lhe.
Nem chovia tanto e nem tinha vendaval, mas teve velório, caixão, vela e terço.
Deitei o corpo no caixão, sepultei e chorei.
Não era bem corpo, era um papel com seu nome. E o caixão era uma caixinha de fósforo, vazia.
Não acendi vela de verdade e não rezei terço.
Eu não sou católica, ele era.
Não foi no cemitério, fiz uma cova rasa num vaso.
Cova rasa como a de João, em sua morte e vida severina.
Não chamei um padre, nem ninguém,
Mas eu mesma fiz uma missa.
Pensei:"-Ele era tão bom!".
Mentira!
Se fosse bom eu não o teria matado, ele não precisaria morrer.
Coloquei o caixão na cova, joguei uma pétala, porque flor era grnade demais.
Chorei um pouco mais...
Disse umas palavras: Caro Data Vermibus!
Lancei a terra devagar e fui chorando devagar.
Deixá-lo ali no frio me doeu, pensava nele sozinho e os vermes...
Vermes não comem papel com nome, defuntos fictícios.
A terra cobriu rapidamente o caixão, ele estava morto e enterrado.
Respirei aliviada, papéis com nome não ressucitam.
Coloquei uma violeta sobre o túmulo, dentro do vaso de violetas.
Voltei para casa, estava no quintal, apenas entrei, pensei nele, na morte dele, em como planejei tudo; a cor do papel, a tinta da caneta, o tipo de letra, a caixa de fósforos, qual vaso usar, o dia de fazer isto... Ah! Livrei-me dele!
Chorei de novo, amava aquele nome na caixinha, amava e estava presa aquele homem morto no caixão e sepultado no vasinho.
Estava viúva, não precisava amá-lo e nem sofrer por ele.
Sepultei-o mas ele anda solto por aí, morto no meu coração.
(Nem preciso explicar mais nada - 2000)
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Mantra do Amor Antigo
Mantra do amor antigo
Meu antigo amor
Eu joguei num poço
É...
Meu antigo amor, eu joguei num poço fundo
Por cima eu joguei pedras
Foi isso que eu fiz
O meu antigo amor eu joguei num poço fundo
Por cima eu joguei pedras e
Fiz nascer uma fonte
Eh, foi isso...
Peguei o meu antigo amor, joguei num poço fundo
Por cima eu joguei pedras
Fiz nascer uma fonte
De águas amargas.
Eu joguei num poço fundo o meu antigo amor
Joguei pedras por cima e
Ainda fiz nascer uma fonte de águas amargas
Que ninguém bebe.
Foi isso!
Que amor?
Que poço?
Que água?
Que amarga!!!
Que fundo?
Que pedra?
Que nada?
Que antigo, que eu nem me lembro
De que poço estava falando?
(2002... eu acho, faz muito tempo, mas gosto dele.)
Mantra old love My old love I dumped in a deep well Yes... My old love, I dumped in a deep well Above I threw stones That's what I did My old love I dumped in a deep well Above I threw stones and There was born a wellspring Yes , that's all... I took my old love, dumped in a deep well Above I threw stones It was borning a wellspring, Bitter waters. I dumped in a deep pit my old love I buried with stones and It was borning a wellspring of bitter waters That noone drinks . That's it! What love?
What well ? What water? That bitter!!! How deep? Which stone? Nothing? That old , I do not even remember What well I was talking about?
Meu antigo amor
Eu joguei num poço
É...
Meu antigo amor, eu joguei num poço fundo
Por cima eu joguei pedras
Foi isso que eu fiz
O meu antigo amor eu joguei num poço fundo
Por cima eu joguei pedras e
Fiz nascer uma fonte
Eh, foi isso...
Peguei o meu antigo amor, joguei num poço fundo
Por cima eu joguei pedras
Fiz nascer uma fonte
De águas amargas.
Eu joguei num poço fundo o meu antigo amor
Joguei pedras por cima e
Ainda fiz nascer uma fonte de águas amargas
Que ninguém bebe.
Foi isso!
Que amor?
Que poço?
Que água?
Que amarga!!!
Que fundo?
Que pedra?
Que nada?
Que antigo, que eu nem me lembro
De que poço estava falando?
(2002... eu acho, faz muito tempo, mas gosto dele.)
Mantra old love My old love I dumped in a deep well Yes... My old love, I dumped in a deep well Above I threw stones That's what I did My old love I dumped in a deep well Above I threw stones and There was born a wellspring Yes , that's all... I took my old love, dumped in a deep well Above I threw stones It was borning a wellspring, Bitter waters. I dumped in a deep pit my old love I buried with stones and It was borning a wellspring of bitter waters That noone drinks . That's it! What love?
What well ? What water? That bitter!!! How deep? Which stone? Nothing? That old , I do not even remember What well I was talking about?
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Só solidão
Solidão...
Precisa-se de silencio, espaço e apenas olhar.
Como dizia a musica do Cazuza: solidão a dois, faz calor depois faz frio....
Será que esta musica era mesmo dele?!
Dentro do meu peito tem um buraco negro com sua força centrifuga sugando o universo,
meu universo roído e ruído.
Não é dor, nem tristeza, nem medo, nem melancolia;
é vazio.
Eu me sinto vazia...
(segunda-feira, 18 de junho de 2012)
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Precisa-se de silencio, espaço e apenas olhar.
Como dizia a musica do Cazuza: solidão a dois, faz calor depois faz frio....
Será que esta musica era mesmo dele?!
Dentro do meu peito tem um buraco negro com sua força centrifuga sugando o universo,
meu universo roído e ruído.
Não é dor, nem tristeza, nem medo, nem melancolia;
é vazio.
Eu me sinto vazia...
(segunda-feira, 18 de junho de 2012)
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
It takes silence , space and just look . As said the Cazuza´s song loneliness by two , it's hot then it's cold .... Does this music was really written by him?!Inside my chest has a black hole with its centrifugal force sucking the universe , My gnawed and noise universe. There isn´t pain or sorrow or fear or melancholy ; It is empty. I feel empty.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Exatamente Inexplicável
Cores primárias
Sabores comuns e pitorescos.
Fervente e congelante.
Solidão na aglomeração.
Prazer no vazio
Ansiedade e receio.
Esperança e apatia
Corre e sentar-se.
Direita e esquerda
Fome sem vontade de comer
Amor sem amar
Estar sempre sem nunca ser.
Objetiva e vaga.
Contundente e frouxa
Paradoxal, dogmática sem perder o ceticismo.
Enoja-me os tons pasteis, as aquarelas, as indefiníveis variações pois
para mim a vida é pintada em cores primárias, fortes e decididas.
Cansa-me a hipocrisia de uma vida mediana, de modos e valores tão relutantemente postos à mesa e devorados inocentemente
Por mentes famintas mas de paladar duvidável.
Não se aprende a escolher o que melhor se fará digerir, mas tola e primitivamente age-se por um instinto de sobrevivência sem razão.
Quantas pessoas vão se reconhecer nos absurdos do meu ser atemporal, cheio de manias, sem grandes rituais, um dia à Lua, um dia ao Sol, quanta complexidade cabe no meu universo?!
(Uma tarde quente, após as aulas do ensino fundamental em colégio público.Crianças suadas, professores desacorçoados e um sistema falido. Agosto/2014)
Sabores comuns e pitorescos.
Fervente e congelante.
Solidão na aglomeração.
Prazer no vazio
Ansiedade e receio.
Esperança e apatia
Corre e sentar-se.
Direita e esquerda
Fome sem vontade de comer
Amor sem amar
Estar sempre sem nunca ser.
Objetiva e vaga.
Contundente e frouxa
Paradoxal, dogmática sem perder o ceticismo.
Enoja-me os tons pasteis, as aquarelas, as indefiníveis variações pois
para mim a vida é pintada em cores primárias, fortes e decididas.
Cansa-me a hipocrisia de uma vida mediana, de modos e valores tão relutantemente postos à mesa e devorados inocentemente
Por mentes famintas mas de paladar duvidável.
Não se aprende a escolher o que melhor se fará digerir, mas tola e primitivamente age-se por um instinto de sobrevivência sem razão.
Quantas pessoas vão se reconhecer nos absurdos do meu ser atemporal, cheio de manias, sem grandes rituais, um dia à Lua, um dia ao Sol, quanta complexidade cabe no meu universo?!
(Uma tarde quente, após as aulas do ensino fundamental em colégio público.Crianças suadas, professores desacorçoados e um sistema falido. Agosto/2014)
Primary colors
Common flavors and picturesque .
Scalding and freezing .
Loneliness in agglomeration.
Delight in empty
Anxiety and fear .
Hope and apathy
Runs and sit .
Right and left
Hunger unwilling to eat
Love without love
Always be never be .
Objective and vague .
Hard-hitting and loose
Paradoxical , without losing dogmatic skepticism.
Disgusts me the pastels , watercolors , the indefinable variations as to me life is painted in primary colors , strong and determined . Wearies me the hypocrisy of a median life, modes and values so reluctantly put to the table and eaten innocently For hungry but of doubtful taste minds. You do not learn to choose what best will digest, but foolish and primitively one acts for no reason survival instinct . How many people will recognize the absurdity of my being timeless , full of quirks , no major rituals , the day the moon , the day the sun , how much complexity fits in my universe ?!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Carambolas
Eu gosto de você, de um jeito irritante de gostar
Igual gostar de carambola
Que é azeda, faz mal para os rins, dizem
Mas a gente come, para sentir o travor nos dentes
O olho repuxar e aquela salivação toda.
As coisas que você fala são do tipo que eu quero por o dedo na tua cara,
Mas me calo, rio de canto e maneio a cabeça:
- ‘Tá pensando que é quem?
Passar horas escutando e falando, os dentes travando
E sempre a vontade de um pouco mais.
Talvez um dos meus rins pare, talvez seja mentira
Talvez fique mais doce com o tempo ou mais azeda
O fato é que eu gosto de todo este estorvo que me causa gostar de estar com você.
Oras, carambolas!
*Priscila K. de Mendonça - Dona Panda *
I like you , an annoying way like
Same like carambola
What is sour , is bad for the kidneys, them said.
But we come to feel the travor teeth,
The eye twitching and drooling all that .
The things you say are the kind of I want to put my finger on your face ,
But I shut up , smile and management and the head :
- Who do you think you are?
Spend hours listening and talking , teeth catching
And always will a little more .
Perhaps one of my kidneys stop, perhaps it is a lie
It may be sweeter with time or more sour
The fact is that I like all this encumbrance that causes me to enjoy being with you.
Oras , carambola !
Castelo Encantado da Panda Véia
Campo Grande - MS, Brasil
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