domingo, 20 de janeiro de 2019

Plenitude (2016)

Plenitude

O tempo pára, depois anda devagar.
Quando uma mão se mexe,
Trazendo em si significados,
Significando-se,
Eu me sinto completa.
Meu pertencimento,
Meu lugar no mundo,
É ali, onde o som não mais importa,
É ali, onde um mover de sobrancelha muda o sentido,
Um olhar dá sentido,
Uma expressão muda todo sentido da história.
É poético, eu sei que sou ingênua,
Mas como o cisne,
Que saiu do ovo no ninho errado.
Eu não me sinto igual,
No meio dos que deveriam me ser pares,
Sou ímpar.
E quando o som desaparece,
Avisto quem eu sou,
Faço par, pertenço
Fico plena.

*Minha estranha/apaixonada relação com a  língua de sinais e o mundo dos Surdos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Formato exato

Insisto em carregar,
encarcerada,
com um formato exato de uma lança,
uma espada,
pontiaguda dor,
que tem a exata proporção do meu pequeno coração,
mal me mexo,
o sangue escorre.
[sem data, mas o rascunho estava junto com uma de 2006, no verso de uma receita médica do tratamento de enxaqueca de 2005]

ABSOLVIÇÃO

Absolvição (2005/2006 - Gestação do Arthur)

Falta de ar, suor na fronte e seu pé deslizando no meu ventre.
Não me levanto sozinha, nem me deito mais, sua cabeça salta bem no meio da barriga esticada.
Os sons da cidade, todos, se calam e só quero ouvir o seu pequeno coração, nada importa, não me importa não respirar, não andar e não parecer mais aquela menina que eu fui, sua chegada é minha absolvição, de todos meus pecados e nenhum desconforto tem significado diante de seus movimentos tão notáveis. seus pézinhos, sua cabeça e você inteiro se mostrando dentro de mim.

Desde essa sensação na gestação, doze anos e meio já se passaram. Está se tornando um jovem homem de quem eu tenho muito orgulho.