Plenitude
O tempo pára, depois anda devagar.
Quando uma mão se mexe,
Trazendo em si significados,
Significando-se,
Eu me sinto completa.
Meu pertencimento,
Meu lugar no mundo,
É ali, onde o som não mais importa,
É ali, onde um mover de sobrancelha muda o sentido,
Um olhar dá sentido,
Uma expressão muda todo sentido da história.
É poético, eu sei que sou ingênua,
Mas como o cisne,
Que saiu do ovo no ninho errado.
Eu não me sinto igual,
No meio dos que deveriam me ser pares,
Sou ímpar.
E quando o som desaparece,
Avisto quem eu sou,
Faço par, pertenço
Fico plena.
*Minha estranha/apaixonada relação com a língua de sinais e o mundo dos Surdos.

