terça-feira, 11 de abril de 2023

Transtorno Afetivo Bipolar - TAB, hora de falar sobre isso *1




Tá com tempo? Vou te contar uma história.

Eu nunca me senti "normal", eu nunca estive à vontade comigo mesma e nem com os outros. 
Sempre fui chorona, enfezada, raivosa, ou melhor, furiosa. Poucos conseguiam acessar minha suavidade, meu apreço e meu carinho; quem conseguia, sabendo cuidar, o manteria (algumas dessas pessoas ainda mantém) eternamente.

Aos treze anos, me recordo da primeira vez que a tristeza me invadiu, como se sugasse de mim toda minha luz e me deixasse densa, no breu dos meus pensamentos. 

Eu experimentei o vazio, não imaginava e nem imaginaria, que esse seria meu companheiro de jornada. Meus diários de adolescente são repletos de tristeza e dor. Nada nunca fez muito sentido, eu me perguntava por que as pessoas queriam tanto continuar viva? Mas havia dias que eu superava, vivia e animava como se tudo estivesse bem.

Da adolescência para a vida adulta, vivi paixões épicas e avassaladoras, que duravam dois a três meses e terminavam, assim como começaram. Não me importava o impacto, se era um rapaz bonito ou muito jovem, se era muito mais velho, eu me permitia viver cada paixão como quem vive um filme e me esquecia que na vida os créditos não sobem, porque não tem final feliz, porque a vida continua no dia seguinte. 

Geralmente, depois de promessas de amor eterno, de beijos calorosos e o desejo, amarrado e contido pela religião, eu acordava uma manhã e estava lá o vazio, sentado ao pé da minha cama, me assombrando e me avisando que aquela alegria tinha acabado. Eu terminava os namoros e sofria, chorava por dias, porque aquele enorme vazio passava a ocupar tudo.

Hoje, com o diagnóstico e com mais dados, posso entender comportamentos que eu não sabia explicar, que eu experienciava às cegas. Minha vida inteira foi um campo de batalha onde eu estava vendada.
Descabelada

Ainda não é fácil, quando eu penso que acertamos na medicação, algum efeito colateral me derruba e a saga recomeça. Estou no caminho, na luta, sem as vendas mas sem óculos de proteção. 

Conhece alguém que tenha o diagnóstico? Suspeita de que alguém possa ser uma pessoa com TAB? Comente.

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