Existem dias de candura, vivo-os em calma.
Dias de céus em tons pastéis,
passeios ao entardecer,
contemplação em frente ao lago,
leituras amenas ao cair da noite,
carinhos no gato malandro,
xícaras de chá de hortelã que aquecem as mãos
e conversas cândidas antes de um sono leve.
Dias de andar despretensiosa e simples com apenas o vento na cabeça.
Existem dias de fervor, neles sou eu o calor.
Dias de suor escorrendo,
de sentir os cheiros do corpo vivo,
de sabores,
de respiração ofegante,
de urgência do amor,
de olhos fechados,
de boca sedenta,
de saciedade,
de corpos cansados, plenos de amor.
Quisera eu não ser tão dualista,
Que pena, isso não foi reservado para mim.
Desacredito de meias palavras,
não entendo suavidades,
Nem sutilezas.
Eu vejo a vida em cores primárias,
Em sabores marcantes,
Em silêncios profundos e
Música alarmante.

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